
Cenário Imobiliário Nacional - Setembro 2025
O cenário imobiliário nacional em 2025 enfrenta ventos contrários por conta de juros altos, crédito mais caro e seletivo, aumento de recuperações judiciais/falências e menor apetite por investimento, com efeitos mais fortes no SBPE e nos segmentos de média renda; já moradias populares e locação mostram resiliência relativa apoiadas por FGTS e demanda por aluguel.
Juros altos:
A Selic permaneceu em dois dígitos ao longo de 2025, mantendo o custo do dinheiro elevado e encarecendo financiamentos imobiliários, o que reduz o poder de compra e adia decisões de aquisição de imóveis. Em cenários de Selic elevada, projeções indicaram queda de 15% a 20% nos financiamentos, sobretudo em médio e alto padrão, pressionando lançamentos e repasses; a demanda migra parcialmente para o aluguel.
Crédito mais caro e seletivo
A associação do setor projeta recuo no crédito total em 2025, com forte retração no SBPE e compensação parcial pelo FGTS; estimativas apontaram -20% no SBPE (c. R$ 150 bi) e +20% em linhas com FGTS (c. R$ 152 bi). A concessão caiu em unidades e volume no 1º semestre de 2025, em meio a maior seletividade bancária e custo de capital, atingindo imóveis novos e usados, com impacto mais forte em construção/obra.
Empresas sob estresse
O Brasil registrou recorde recente de recuperações judiciais e alta inadimplência empresarial, atingindo milhões de CNPJs; serviços e comércio foram os mais afetados, aumentando risco de fornecedores e contratantes no imobiliário. O setor imobiliário concentrou dívidas relevantes, com crescimento de leilões e pressão por vencimentos próximos; 2024 já teve 314 RJs no setor, e a restrição de crédito sugere continuidade do estresse em 2025.
Queda na intenção de investir em imóveis
Com juros reais altos e renda comprimida, parte dos investidores posterga compras e busca renda fixa; ao mesmo tempo, cresce a preferência por locação, o que sustenta preços e rentabilidade do aluguel. Especialistas e relatórios setoriais indicam vendas mais lentas em segmentos dependentes de financiamento; a resiliência concentra-se no popular (subsídio/FGTS) e no luxo (menos sensível ao crédito).
Efeitos setoriais
Lado negativo: menor velocidade de vendas, repasses mais difíceis, custo de capital alto, aumento de risco de execução e de estoque, com pressão sobre lançamentos e margens. Lado defensivo: mercado de locação aquecido e continuidade de projetos econômicos via FGTS, que mitiga a queda no ciclo de baixa do crédito livre, preservando parte do fluxo de obras populares.
O que observar adiante
Trajetória da Selic e do crédito: projeções privadas apontaram estabilidade de juros elevados em 2025 e possível alívio apenas em 2026, condicionando retomada mais forte de lançamentos e repasses. Qualidade de crédito e judicializações: manutenção de pedidos de RJ e falências em patamar alto segue como risco para cadeias de incorporação e construção, exigindo gestão de caixa e disciplina de alavancagem.



